ABRAVEi confirma a vantagem dos caminhões elétricos para a descarbonização nacional

A Associação Brasileira de Proprietários de Veículos Elétricos Inovadores (ABRAVEi) revisou o estudo da ANFAVEA em parceria com a Boston Consulting Group (BCG), “Pathways to Decarbonization: the vehicle life cycle carbon footprint”, e concluiu que os caminhões elétricos apresentam consistentemente as menores emissões de gases de efeito estufa ao longo do ciclo de vida entre todas as tecnologias avaliadas, especialmente no Brasil, que conta com uma matriz energética limpa e renovável.

A Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) da ANFAVEA comparou tipos de veículos pesados no Brasil, na União Europeia, nos Estados Unidos e na China. Em todas as regiões, caminhões e ônibus elétricos apresentaram a menor pegada de carbono. No Brasil, caminhões urbanos elétricos emitem apenas uma fração do CO₂ emitido por caminhões a diesel, inclusive aqueles que utilizam misturas de biodiesel B15.

A ABRAVEi destaca esses resultados como um forte sinal de que o Brasil está em posição única para liderar uma logística limpa e competitiva por meio da rápida eletrificação do transporte de cargas. À luz dessa constatação positiva, a ABRAVEi também aborda alegações recentes que sugerem que “caminhões a diesel B15 poluem menos do que caminhões elétricos”. Essas manchetes se baseiam em uma comparação seletiva entre um caminhão a biodiesel operando no Brasil e um caminhão elétrico operando na China, onde a matriz elétrica ainda é mais intensiva em carbono.


A ABRAVEi enfatiza que:

  1. Caminhões elétricos têm consistentemente as menores emissões. O estudo mostra que eles superam o diesel em todos os países quando comparados em condições idênticas.

    O relatório afirma que “em todos os países analisados, caminhões e ônibus elétricos têm a menor pegada de carbono” e que, no Brasil, “caminhões elétricos urbanos emitem… uma fração das emissões dos caminhões a diesel, mesmo quando estes utilizam misturas elevadas de biodiesel, como o B15”. Isso confirma que, quando cada tecnologia é avaliada dentro do mesmo contexto nacional, os VEs são sempre a opção mais limpa.

  2. A narrativa diesel-no-Brasil versus elétrico-na-China é enganosa, pois mistura dois contextos nacionais completamente diferentes, e não as tecnologias.

    O documento explica que comparar um caminhão B15 brasileiro com um caminhão elétrico chinês é “comparar contextos nacionais distintos, e não apenas tecnologias”, já que o Brasil se beneficia de uma matriz elétrica muito mais limpa. Quando ambas as tecnologias são colocadas no mesmo contexto, o relatório é explícito: “o caminhão elétrico brasileiro é claramente superior”.

  3. Afirmar que caminhões a diesel ‘poluem menos’ deturpa o estudo, pois ele mediu apenas emissões de CO₂, e não poluentes reais do ar, como NOx ou material particulado.

    O relatório esclarece que a análise ANFAVEA–BCG “não é um estudo sobre ‘poluição’… mas especificamente sobre pegada de carbono”, e ressalta que caminhões a diesel “continuam a emitir NOx e material particulado”, enquanto caminhões elétricos têm “emissões zero no escapamento”. Usar esse estudo para afirmar que o diesel é “mais limpo” ignora os poluentes que mais afetam a saúde humana.

  4. Essas comparações distorcidas seguem um padrão conhecido, no qual o melhor cenário possível para veículos a combustão é comparado ao pior cenário para veículos elétricos.

    A ABRAVEi observa que essa tática já apareceu antes, como ao comparar carros a etanol no Brasil com VEs usando a matriz elétrica mais suja da Europa para alegar que o etanol é mais limpo. O relatório descreve isso diretamente: “o padrão se repete: escolhe-se o melhor cenário brasileiro para o veículo a combustão e compara-se com o pior cenário internacional para o veículo elétrico”. A mesma manipulação sustenta a alegação B15 versus VE chinês.

A Gigantes Elétricos acolhe a mensagem clara da ABRAVEi de que eletrificação e biocombustíveis devem ser tratados como “soluções complementares, e não como rivais em narrativas simplificadas”, ao mesmo tempo em que reafirma que os veículos elétricos permanecem “a tecnologia com menores emissões de GEE… especialmente em países cuja matriz elétrica é predominantemente renovável, como é o caso do Brasil”. O relatório também destaca a vantagem econômica imediata da eletrificação do frete, observando que a migração do diesel e do gás para a eletricidade pode “resultar em reduções de até 70% no custo de energia do frete”, fortalecendo a competitividade logística do Brasil e posicionando o país para a liderança global no transporte de zero emissões.

Leia o relatório completo aqui.

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