Caminhões a Diesel na Zona Franca de Manaus

Relatório GTA – Caminhões na Zona Franca de Manaus

Novo relatório da Rede GTA expõe custos ocultos do diesel na Amazônia e aponta caminhos para uma transição justa

A Rede GTA acaba de lançar o relatório Caminhões a Diesel na Zona Franca de Manaus, um estudo inédito que revela, com base em dados empíricos e entrevistas com especialistas, a dimensão real dos impactos ambientais, logísticos e sociais gerados pelo atual modelo de transporte de cargas na Amazônia. O documento mostra que a dependência quase absoluta do diesel não apenas encarece o escoamento de produtos, mas também aprofunda problemas de saúde pública e amplia desigualdades regionais.

Segundo o relatório, a Amazônia enfrenta um paradoxo logístico: é uma das regiões mais estratégicas do planeta, mas opera com uma infraestrutura insuficiente e altamente poluente. Caminhões vindos de outros estados percorrem milhares de quilômetros até Manaus, enfrentando estradas precárias, balsas movidas a diesel e gargalos que ampliam emissões de CO₂, NOₓ e material particulado. O estudo aponta que essa combinação reduz a velocidade média dos veículos, aumenta custos operacionais e intensifica os riscos de acidentes e doenças respiratórias – impactos que recaem majoritariamente sobre populações urbanas e comunidades periféricas da região.


O relatório também traz um alerta: boa parte do impacto ambiental associado à logística da Zona Franca de Manaus não é gerada localmente, mas ao longo de todo o trajeto percorrido pelos caminhões oriundos do Sul e Sudeste. Isso reforça a necessidade de uma coordenação nacional, com implantação de corredores de recarga e medidas conjuntas entre estados para possibilitar a eletrificação de frotas que abastecem a região.


Ao mesmo tempo, o estudo oferece caminhos concretos. Entre as alternativas apresentadas estão a adoção gradual de caminhões elétricos em rotas urbanas e interurbanas curtas, o fortalecimento do transporte hidroviário de baixo carbono e a reativação de modais ferroviários estratégicos. A Rede GTA destaca que a eletrificação é tecnicamente viável em diversos trechos e que sua adoção pode reduzir emissões, melhorar a eficiência e diminuir custos de longo prazo – desde que acompanhe investimentos em infraestrutura energética e políticas públicas adequadas.

Para Adilson Vieira, um dos coordenadores do estudo, a pergunta central não é se a Amazônia pode eletrificar sua logística, mas quem vai liderar esse processo. “A transição precisa envolver governos, montadoras, transportadoras e comunidades locais. Não se trata apenas de tecnologia, mas de justiça econômica e ambiental”, afirma Vieira.



O lançamento do relatório chega em um momento em que o debate sobre transporte sustentável ganha força no país e mostra, com clareza, que a Amazônia pode ser um laboratório de inovação logística, mas só se abandonar o modelo extremamente caro e poluente definido pelo diesel.

👉 Baixe o relatório completo

Relatório GTA – Caminhões na Zona Franca de Manaus

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